quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Incêndios Na Floresta Amazônica Acarretam Uma Redução De 94% Das Espécies De Árvores

Fonte Portal EcoDebate 07/12/2016

Incêndios na Floresta Amazônica acarretam uma redução de 94% das espécies de árvores. Entrevista especial com Erika Berenguer
IHU
A área de queimada em quatro municípios do Pará — SantarémBelterraMojuí dos Campos e Uruará — foi de “7.400 km2, afetando 12% da Floresta Nacional do Tapajós, uma das Unidades de Conservação mais estudadas do país”, informa Erika Berenguer à IHU On-Line. Segundo ela, “só a área queimada nesses quatro municípios é maior do que todo o desmatamento registrado no mesmo período em toda a Amazônia Legal”.
A pesquisadora explica, na entrevista a seguir, concedida por e-mail, que entre os fatores que contribuem para o aumento das queimadas na Amazônia, destacam-se “o uso do fogo no preparo da terra para cultivo”, o fato de as florestas estarem “cada vez mais degradadas” e ainda os efeitos das mudanças climáticas. “Os agricultores, em sua grande maioria, usam as queimadas com cuidado, porém o clima cada vez mais seco e quente na região amazônica devido às mudanças climáticas tem contribuído para as queimadas saírem de controle, virando grandes incêndios acidentais, que queimam áreas de cultivo e benfeitorias, assim como adentram as florestas, queimando-as”, diz.
Erika lembra que anos atrás, quando o fogo entrava na floresta, os efeitos não eram devastadores porque a floresta era bastante úmida, no entanto a “extração de madeira” e os “incêndios” têm causado uma “grande mortalidade da vegetação, o que resulta em muitas folhas e galhos no chão da mata e gera clareiras no meio da floresta. Essas clareiras permitem uma maior entrada de luz solar e de vento, deixando a floresta mais seca. A combinação de uma floresta mais seca e cheia de combustível no chão a torna muito mais vulnerável aos incêndios, gerando então um ciclo vicioso”, explica. Entre os resultados negativos desse processo, a pesquisadora menciona, após ter acompanhado de perto os incêndios durante três meses na região de Santarém, que “as matas que já sofreram tanto com a extração madeireira quanto com os incêndios apresentam uma redução de até 94% das espécies de árvores, 86% das espécies de besouros rola-bosta e 54% das espécies de aves”.
Para reverter esse processo, Erika pontua que é necessário “evitar uma maior degradação das florestas, como, por exemplo, maior fiscalização e punição de extração ilegal de madeira”. Em períodos de secas extremas, frisa, é essencial que “sejam direcionados incentivos financeiros de emergência para os municípios que geralmente têm maior ocorrência de incêndios. Tais incentivos teriam o objetivo duplo de prevenir os incêndios antes do desencadear da seca e de combater os incêndios após o início da seca”.
Erika Berenguer é bióloga graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutora em Ecologia pela Lancaster University, Reino Unido. É pesquisadora nas universidades britânicas Lancaster e Oxford. Há 14 anos trabalha com os impactos antrópicos nas florestas tropicais, focando primeiro na Mata Atlântica e, ao longo dos últimos 8 anos, trabalhando na Amazônia. Está envolvida em projetos que buscam desenvolver um maior entendimento sobre os possíveis impactos da fragmentação, da extração de madeira e dos incêndios acidentais na biodiversidade e nos estoques de carbono das florestas afetadas.
Confira a entrevista.

Em busca de uma Amazônia sustentável

Fonte: Diario do Pará 07/12/2016

Em busca de uma Amazônia sustentável (Foto: Fernado Araújo)
A Amazônia ainda é a maior área de desmatamento do mundo. Quase 8 mil Km² de floresta foram removidos entre 2015 e 2016 (Foto: Fernado Araújo)
Os dados divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) demonstram que, em 2016, a Amazônia voltou a possuir a maior área de desmatamento do mundo. Diante de um cenário preocupante, especialistas do setor se reuniram na manhã de ontem, em Belém, no Simpósio Amazônia Sustentável. Instituições científicas que integram a Rede Amazônia Sustentável (RAS) apresentaram resumos de pesquisas realizadas nos últimos anos e apontaram propostas de recomendações para tomadas de decisões que possam levar ao atingimento da verdadeira sustentabilidade. 
Convidado do evento, o coordenador do Observatório do Clima e do Projeto de Mapeamento da Cobertura e Uso do Solo do Brasil (MapBiomas), Tasso Azevedo traçou um breve panorama da situação atual das trajetórias da sustentabilidade dos usos da terra. Para ele, três grandes segmentos podem apresentar ameaça ao meio ambiente no que diz respeito ao uso do solo: o desmatamento, a degradação de forma geral (relacionada à queimadas) e a contaminação da água. 
No que se refere ao primeiro campo, o engenheiro florestal não deixou de citar o crescimento observado pelas estimativas de 2016 para o desmatamento na região amazônica. “A gente reduziu muito o desmatamento. Mas, se a gente olhar para os números de 2016 esquecendo todos os anos anteriores, teremos de reconhecer que essa ainda é a maior área de desmatamento do mundo”, destacou, referindo-se ao dado que do Inpe que registraram uma taxa de 7.989 Km² de remoção total da cobertura da floresta no período de agosto de 2015 a julho de 2016. 
Segundo Tasso, quando se analisa a área desmatada acumulada ao longo dos anos, é possível considerar que ela já representa aproximadamente 20% da área original da Amazônia. “Eu fiz uma conta rápida e cheguei à taxa de 250 metros quadrados sendo desmatados por segundo”. 

RAS

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Justiça Federal Ordena Consulta Prévia A Indígenas Para Construção Da Usina Teles Pires

Fonte: EcoDebate 05/12/2016

Hidrelétricas na Amazônia. Mapa: por Cândido Cunha, em Língua Ferina
Hidrelétricas na Amazônia. Mapa: por Cândido Cunha, em Língua Ferina

ABr
Por unanimidade, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) ordenou a consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas Kayabi, Munduruku e Apiaká, que serão atingidos pela obra da Usina Hidrelétrica de Teles Pires, no rio de mesmo nome, localizada na divisa dos estados do Pará e de Mato Grosso. As informações foram divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF).
A consulta, segundo o MPF, deve ser feita no modelo previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e havia sido ordenada por sentença de primeira instância. No entanto, o governo brasileiro e a Companhia Hidrelétrica Teles Pires recorreram e perderam novamente na segunda instância, ocorrida no dia 30.
“No julgamento de ontem, os desembargadores também consideraram inválida a licença de instalação concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente [Ibama] para a construção da usina. A Usina Teles Pires, conforme previsto pelos estudiosos, impactou gravemente a vida dos indígenas”, diz nota do ministério.
A procuradora regional da República Eliana Torelly citou “a diminuição das espécies de peixes, a contaminação da água do rio, desmatamento e pressão sobre os recursos naturais”.
O desembargador Antonio Souza Prudente, em seu voto, falou da destruição das Sete Quedas, local de grande importância cosmológica para os Munduruku e a necessidade de cumprir a Convenção 169 da OIT e respeitar os direitos indígenas inscritos na Constituição Brasileira. “Em nenhuma usina hidrelétrica instalada na Amazônia houve consulta prévia aos povos afetados, sejam indígenas, sejam ribeirinhos”, diz nota do MPF.
Segundo o MPF, a decisão do tribunal não vai entrar em vigor imediatamente, por causa do recurso da suspensão de segurança, que interrompeu o efeito de qualquer decisão judicial enquanto não ocorrer o trânsito em julgado do processo.
O procurador Felício Pontes, um dos subscritores da ação em defesa dos povos indígenas, criticou a suspensão de segurança. “Este é um caso a ser estudado. Vencemos em todas as instâncias no sentido de que a barragem não poderia ser construída sem consulta prévia aos indígenas, mas a obra está construída. Os indígenas sofrendo com doenças que não tinham. Tudo em razão de uma decisão política de suspensão de segurança, instituto que vem da ditadura militar e que não deveria existir em um país democrático.”
Por Camila Boehm, da Agência Brasil, in EcoDebate, 05/12/2016

Debate Sobre Hidrelétricas Na Amazônia, No Congresso Nacional, Dia 6/12

Fonte EcoDebate 05/12/2016

Por Sucena Shkrada Resk, do ICV
No dia 5, também haverá o lançamento de documentário sobre Belo Monte; pós inundação e de livro a respeito da Construção da hidrelétrica de São Luiz de Tapajós, no IESB
A decisão política, econômica e socioambiental do governo brasileiro de investir na predominância da matriz energética hidráulica nos próximos anos, em especial, na Amazônia, se tornou um tema de discussão nacional pela complexidade dos projetos implementados e em curso quanto à relação de seu custo-benefício e impactos atuais e nas próximas décadas. O tema chega ao Congresso Nacional, com a realização do Seminário Hidrelétricas na Amazônia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos, no dia 6 de dezembro, das 9h às 18h, no Plenário 8 – Anexo 2, da Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento é uma organização da Aliança dos Rios da Amazônia, do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, da Frente por uma Nova Política Energética e do GT Infraestrutura em parceria com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados (veja programação abaixo).
seminário hidrelétricas na amazônia
O debate será divido em três grandes eixos: Aspectos críticos do planejamento e licenciamento de hidrelétricas na Amazônia; Responsabilidade socioambiental de agentes financeiros e Hidrelétricas na Amazônia a caminhos alternativos para a política energética nacional. Para isso, foram convidados representantes de diferentes segmentos, desde os Ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia ao Ministério Público Federal (MPF), Academia e terceiro setor.
Durante o evento, também participarão representantes de populações mais vulneráveis aos empreendimentos hidrelétricos: assentados, indígenas, ribeirinhos e atingidos por barragens.
Lançamentos e debates no dia 5: documentário e livro

Desmatamento na Amazônia Brasileira em 2016: prenúncio de um retrocesso?

Fonte: Imazon 01/12/2016

No dia 29 de novembro o Governo divulgou os dados preliminares do desmatamento de 2016. A taxa foi de 7.989 km2, o que representa um aumento de 29% em relação ao ano passado.O Brasil tem muito o que perder com isto, não só do ponto de vista ambiental, mas também do ponto de vista político e econômico. Tal aumento não pode se tornar corriqueiro, nem ameaçar os grandes avanços ambientais do país nos últimos anos. É necessário que a sociedade como um todo aja para questionar este aumento e demandar, direta e indiretamente o cumprimento da legislação ambiental, bem como uma produção mais sustentável.  
Este não é o primeiro repique no desmatamento. Em janeiro de 2014, o IPAM, em colaboração com o IMAZON e o Instituto Socioambiental (ISA), publicou uma nota técnica alertando para o fato de que o aumento de 28% na taxa de desmatamento na Amazônia brasileira em 2013[1](5.891 km2) poderia ensejar um descontrole crescente da destruição florestal na região nos anos seguintes. Infelizmente, tal prognóstico se confirmou. A taxa de 2015 atingiu 6.207 km2 e a de 2016, recém anunciada pelo INPE, alcançou 7.989 km2 (Figura 1). Esse valor é o maior desde 2008, quando o desmatamento atingiu 12.911 km2. Naquele ano, drásticas medidas foram tomadas pelo governo, entre elas a criação da Lista de Municípios Prioritários da Amazônia, seguido do bloqueio ao crédito para produtores daquelas regiões. O recente aumento de 29% na taxa de 2016 em relação ao ano anterior não deixa dúvidas de que a tendência de redução, observada a partir de 2005, foi definitivamente revertida (Figura 1).

Figura 1: Taxa anual de Desmatamento na Amazônia Brasileira entre 2006 e 2016. O gráfico também mostra a área que poderia ser desmatada em 2020 para que o Brasil cumpra a meta de redução de  80% no desmatamento no bioma Amazônico (Decreto 7.390/2010). Baseado no desmatamento de 2016, o Brasil deve reduzir o desmatamento pela metade nos próximos anos. (Dados: PRODES/INPE, PPCDAM, MMA. Produção: IPAM).

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Fundo Amazônia reforça fiscalização do Ibama

Fonte: Ibama 03/11/2016


Brasília (03/11/2016) - O Ibama e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram nesta quinta-feira (03/11), em cerimônia no Ministério do Meio Ambiente (MMA), contrato para aplicação de R$ 56,3 milhões do Fundo Amazônia em operações de combate ao desmatamento.
O projeto vai garantir apoio logístico às ações de fiscalização ambiental nos próximos 15 meses. Os recursos serão utilizados para pagamento de prestação de serviços de aluguel de meios de transporte aéreo e terrestre. "O contrato do Fundo Amazônia será fundamental para garantir a eficácia da atuação do Ibama nos próximos meses. Os helicópteros e veículos são os elementos mais importantes na logística de apoio à fiscalização", disse a presidente do Ibama, Suely Araújo. “Com esses recursos, estaremos plenamente em campo no ano que vem.”
As atividades serão concentradas nas regiões que sofrem maior pressão de desmatamento, de acordo com alertas emitidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Estão previstas 133 operações de fiscalização. As ações de monitoramento, controle e fiscalização foram determinantes para a redução das taxas de desmatamento da Amazônia Legal de 27,7 mil km² em 2004 para 6,2 mil km² em 2015.
“Essa assinatura é emblemática”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, referindo-se ao caráter logístico da destinação da verba. “Esses recursos vão servir como uma suplementação para garantirmos mais helicópteros, veículos e pessoas”. Segundo ele, o apoio do Fundo Amazônia auxiliará o Brasil a cumprir os compromissos assumidos no Acordo de Paris, em 2015. “Temos que fazer a transição para a economia de baixo carbono e, para isso, precisamos de recursos. O Brasil é um país em desenvolvimento que tem cumprido suas obrigações, diminuindo as emissões e assumindo compromissos ousados em comparação a outros países”.

Histórico

Gerido pelo BNDES, sob a coordenação do MMA, o Fundo Amazônia atua nos três eixos do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm): monitoramento e controle ambiental; ordenamento fundiário e territorial; e fomento a atividades produtivas sustentáveis.
Já foram captadas doações de R$ 2,5 bilhões dos governos da Noruega (maior financiador), da Alemanha (por meio do Banco de Desenvolvimento Alemão - KfW) e da Petrobras para aplicação em projetos de redução do desmatamento e desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal.
Os doadores estrangeiros sinalizaram a intenção de realizar novos aportes, que somarão mais R$ 2,2 bilhões, e também devem autorizar a extensão do prazo para aplicação dos recursos por mais dez anos, de 2020 para 2030.
O novo contrato de financiamento firmado com o Ibama compõe a carteira do Fundo que possui atualmente 85 projetos apoiados, no valor total de R$ 1,3 bilhão. Este é o segundo projeto do Ibama, que em 2014 contratou financiamento de R$ 14,7 milhões para o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).
Com informações do BNDES e do MMA.
Assessoria de Comunicação do Ibama
imprensa@ibama.gov.br
(61) 3316-1015
Foto: Ibama

Ibama multa empresas de turismo no Amazonas por exploração ilegal de animais silvestres

Fonte: Ibama 07/11/2016

Manaus (07/11/2016) – O Ibama aplicou mais de R$ 1,3 milhão em multas durante ação de fiscalização de crimes contra a fauna no Amazonas. A Operação Teia foi realizada com o objetivo de identificar e punir a utilização ilegal de animais silvestres em publicações nas redes sociais e em anúncios publicitários para vendas de pacotes turísticos. Seis empresas de turismo e a organizadora do concurso Miss Brasil Be Emotion foram autuadas.

No total, foram aplicados 22 autos de infração para ilícitos identificados pelo núcleo de inteligência do Ibama, além de duas multas durante ação de fiscalização no Lago Janauari, ponto turístico do município de Iranduba (AM). O Instituto já havia recebido denúncias de utilização ilegal de animais silvestres em atividades realizadas no local.
Uma equipe do Ibama, em conjunto com o Batalhão de Policiamento Ambiental do Amazonas, se infiltrou em um pacote turístico no Lago Janauari e conseguiu flagrar um cativeiro com seis animais silvestres. Duas sucuris, uma jibóia e dois jacarés foram resgatados e devolvidos à natureza. Um filhote de bicho-preguiça foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama para reabilitação.
“Essas atividades desrespeitam a legislação ambiental. Os animais são capturados na natureza e mantidos em cativeiro ilegalmente, onde sofrem maus tratos para serem expostos aos turistas”, disse o coordenador da operação, Geandro Pantoja. A pena nestes casos varia de seis meses a um ano de detenção, além de multa por animal mantido ilegalmente, no valor de R$ 500 até R$ 5 mil, quando a espécie está ameaçada de extinção.

Assessoria de Comunicação do Ibama
(61) 3316-1015


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Nova era para a proteção climática

Fonte: Folha de São Paulo 04/11/2016
Artigo do embaixador da Alemanha exaltando o Fundo Amazônia e a cooperação com o Brasil para o alcance das metas do Acordo de Paris.

Autor: GEORG WITSCHEL


Nesta sexta (4/11) começa uma nova era para a proteção climática internacional. O Acordo de Paris entra de fato em vigor -apenas 11 meses após ter sido promulgado.
A impressionante rapidez do processo de ratificação salienta que a comunidade internacional está levando a sério esse debate. A proteção climática não é mais considerada um problema a ser resolvido somente pela política ambiental.
Ao contrário, trata-se de uma prioridade tanto para os chefes de governo e de Estado como também para a sociedade civil e líderes de grandes empresas. O mundo pode se orgulhar disso.
Todavia, o Acordo de Paris só constará dos livros de história se conseguirmos implementá-lo integral e rapidamente. Apenas então será iniciada a necessária transformação para uma economia neutra em carbono.
Brasil e Alemanha contribuíram, com sua célere ratificação do Acordo de Paris, para que ele entrasse em vigor em tempo recorde. Nossos países terão papéis decisivos nos próximos passos, tanto dentro de suas próprias fronteiras quanto no contexto internacional.
Os desafios também são imensos, temos que admitir. Uma "energiewende" -a conversão para um abastecimento energético proveniente de recursos renováveis- não acontece automaticamente. Precisa ser moldada de forma ativa e prudente. Ademais, a redução do desmatamento exige esforços constantes.
No entanto, nossa longa cooperação bilateral nessas áreas já promoveu notáveis conquistas: conseguimos criar novas áreas protegidas nas florestas tropicais e as já existentes receberam mais proteção.
Com apoio decisivo da Alemanha, o Brasil criou o FUNDO AMAZÔNIA, um instrumento orientador para a redução de emissões e o combate ao desmatamento. Fora isso, os dois países cooperam estreitamente na contínua expansão da energia solar e eólica e do biogás, bem como no fomento da eficiência energética.
No plano internacional, é preciso elevar gradativamente os objetivos nacionais para a proteção climática e, ao mesmo tempo, desenvolver estratégias de longo prazo, com vistas a alcançar na segunda metade deste século um mundo neutro em carbono, tal como acertado em Paris.
Para chegarmos a tal meta, precisaremos evitar quase completamente as emissões provenientes da economia energética, do trânsito e da indústria. A Alemanha apoiará os países parceiros nesse processo de descarbonização.
O compromisso alemão, firmado no ano passado, de duplicar até 2020 o financiamento público para o clima continua válido. Portanto, além da transferência de recursos, é necessário que o capital privado seja mais canalizado para os investimentos verdes.
A Alemanha, assumindo a presidência do G20 no próximo ano, colocará a proteção climática em primeiro lugar na agenda política. Além dos Estados, os atores não governamentais são requisitados a promover a implementação do Acordo de Paris.
Sociedades civis ativas e empresas inovadoras, brasileiras e alemãs, reconheceram as oportunidades dessa transformação. Tudo isso me enche de ânimo de que esta sexta-feira realmente entrará para os livros de história.
GEORG WITSCHEL é embaixador da Alemanha no Brasil. Formado em direito, já foi embaixador no Canadá e na Indonésia


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Projeto Embarca Marajó (do Instituto Peabiru) avança em suas ações

Fonte Instituto Peabiru 14/10/2016

O Instituto Peabiru, conjuntamente com o Instituto Internacional de Educação do Brasil – IIEB e Instituto Vitória Régia, executam o projeto Embarca Marajó. Esta iniciativa é apoiada pelo Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal, e tem como principais parceiros a Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó – AMAM, o Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Marajó – CODETEM e o Instituto Lupa Marajó.
O objetivo do Projeto é Implementar ações de desenvolvimento socioeconômico e ambiental sustentável do Fundo Socioambiental Caixa, visando fortalecer processos de desenvolvimento local integrado a políticas públicas, nos municípios onde trafega a Agência-barco Ilha do Marajó, no Pará. São dez os municípios atendidos: Bagre; Breves; Curralinho; Melgaço; Muaná; Ponta de Pedras; Portel, Salvaterra; São Sebastião da Boa Vista e Soure.
 O Instituto Peabiru atua em 4 metas como parte do Embarca Marajó: 1. Valorização das boas práticas socioprodutivas sustentáveis, aqui a implementação dos Centros de Difusão de Boas Práticas socioprodutivas – Centros DIBOA; 2. Fomento a geração de trabalho e renda por meio de economia solidária, assessorando 4 fundos comunitários; 3. Fomento a educação, capacitações e assistências, nesta meta com a incubação da ONG local Lupa Marajó e assessoria técnica à Cooperativa Sementes do Marajó (Rio Canaticu, Curralinho); e 4. Promoção da cidadania e disseminação da cultura Marajoara, apoiando a produção cinematográfica local e a realização de festival de cinema marajoara.
Os Centros DIBOA

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Fundo Amazônia deve ter prazo para usar recursos prorrogado em 10 anos

Fonte: O Globo 01/11/2016
Iniciativa internacional contra desmatamento poderá fazer investimentos até 2030

A Floresta Amazônica - Mario Franca / Mario Franca
RIO- O Fundo Amazônia, que já investiu R$ 2,5 bilhões em projetos para redução do desmatamento da Amazônia Legal, deverá ter a aprovação de seus principais doadores — Noruega e Alemanha — para prorrogar o prazo de aplicação dos recursos de 2020 para 2030. Em reunião anual do Fundo realizada nos últimos dias 26 e 27 de outubro em Oslo, o BNDES, gestor do fundo sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente, recebeu sinalização positiva para iniciar os procedimentos de formalização para extensão do prazo. Com a garantia da renovação, o banco, poderá apoiar projetos com prazos de maturação maiores.

Na mesma reunião, os países doadores confirmaram novas injeções de recursos no Fundo, de US$ 600 milhões (R$ 1,9 bilhão) da parte da Noruega e € 100 milhões (R$ 348 milhões) da Alemanha.— Os resultados da reunião demonstram o reconhecimento, pelos doadores, do compromisso da nova direção do BNDES com a sustentabilidade, manifestado não só no trabalho de gestão do Fundo Amazônia, mas também nas novas políticas de financiamento para projetos de energia elétrica de baixo carbono, universalização do saneamento e mobilidade urbana — diz Marilene Ramos, diretora de Infraestrutura e Sustentabilidade do BNDES.
Em busca do aumento do número de doadores, o Fundo Amazônia deverá realizar em 2017 em Berlim uma nova edição do “Amazon Day”, encontro com investidores para atração de novos doadores, como fez em Londres em 2015. Também está sendo articulado o credenciamento do Fundo junto ao Green Climate Fund (GCF), fundo das Nações Unidas que tem meta de investir US$ 100 bilhões (R$ 318 bi)em iniciativas de economia verde para redução de emissões.
DINHEIRO PARA FISCALIZAÇÃO